Eu não sou uma boa escritora

O primeiro passo é admitir. Ano passado sofri tentando melhorar minhas redações e tive um bom progresso, mas ainda não escrevo muito bem. Para isso talvez devesse praticar mais e ler mais ou até mesmo viver mais, para ter sobre o que falar. O processo não importa tanto, o que realmente é essencial é um bom produto final. Um texto cheio de conteúdo e bem escrito.
Talvez me faltem as duas qualidades. Não ando pesquisando e lendo o tanto que deveria para escrever o que eu quero com o embasamento necessário, e quanto a escrever bem, digamos que meu português não é dos melhores; sim, estou fazendo direito e odeio gramática e não escrevo tudo na mais perfeita concordância. Corro sérios riscos na carreira, por enquanto rio para não chorar.
Queria ter os dados e a eloquência para defender minhas convicções e opiniões sobre o que ocorre na política nacional e internacional, escrever um texto que defende ferozmente o vegetarianismo e a proteção aos animais, mas por enquanto não tenho ou acredito que não tenho o que é preciso para escrevê-los. Quem sabe se eu continuar escrevendo e aprendendo eu tenha coragem de escrever minhas ideias e convicções mais profundas para receberem as criticas que virão.


Em ruínas

ruins

Adoro ruínas.

Não só pela beleza que possuem, mas muito mais pelo que elas representam: Aquilo que resistiu ao tempo e as interperes do mundo.
São sobreviventes, são a materialização do que cada um de nós é. Nós seres humanos, perdemos muito mais do que ganhamos, perdemos pessoas, perdemos nossa vitalidade, nossa saúde e até nossa memória. Á nós cabe sermos ruínas, sombras gloriosas do que já fomos e nos mantermos de pé é mostrar que sobrevivemos.
Elas representam principalmente aquilo que é forte e duradouro, o que não pode ser destruído. Pode chamar isso de amizade, amor verdadeiro, lealdade?

Acho que é por isso que Amo ruínas.

 


A liberdade intelectual na rede

Diante dos protestos na rede quanto ao SOPA (Stop online piray act) e ao PIPA (protect IP act), resolvi escrever um pouco sobre a liberdade intelectual na internet. Essas duas leis preveem, junto ao combate à pirataria, a limitação das liberdades na divulgação de diversos conteúdos online. Mas disso vocês devem estar cansados de saber, com a campanha nas redes socias e devido aos vários sites em greve. Mas esses dois projetos trazem uma discussão bastante pertinente no que concerne as publicações cientificas: até aonde elas estão disponíveis para o desenvolvimento intelectual  e como a internet deveria ter um papel importante como disseminadora de conhecimento.
Temos a impressão que a internet é um ótimo veículo para divulgar teses e textos, e que ela deveria assim permanecer. Sim, ela tem que ser esse veículo, mas não é. No pouco que ela faz esse papel ainda estão querendo limita-la, com a SOPA e a PIPA, que infelizmente atingem toda a internet, não só os sites americanos.
A maior parte das novas descobertas científicas e teses de renome estão, na verdade, sobre a proteção de grandes sites, que possuem altas taxas para quem quer acessar os conteúdos mais importantes da comunidade cientifica. O que limita a evolução de todas as ciências já que nem todos têm o poder aquisitivo para consultar todas as teses necessárias para que uma nova seja criada e fundamentada. Se os cientistas não publicarem seus artigos em sites como esses dificilmente terão reconhecimento, pois as grandes revistas estão sob essas barreiras.
Tendo em vista que a ciência é uma criação coletiva tais barreiras só contribuem para a segregação intelectual e se opõem ao desenvolvimento cientifico. O que seria da ciência se newton tivesse nascido à vinte anos atrás e quase ninguém pudesse ter acesso as suas leis da mecânica?  Sim, o exemplo poderia ser melhor… Mas a ideia seria a mesma, o progresso científico seria atrasado.
Na era da tecnologia, a ciência evolui rapidamente, mas isso poderia ser feito de maneira ainda mais rápida com o uso da rede. Se as leis conseguissem, de fato, somente proteger os direitos autorais, o conhecimento poderia ser realmente de domínio público, e haveria muito mais progresso. Além disso, um número maior de pessoas poderia ter acesso a esses conteúdos, o que direta ou indiretamente pode mudar a vida de muitas pessoas, ao integrar e por inspirar pessoas a entrarem para a vida acadêmica.
Limitar o conhecimento é impedir a criação de uma sociedade melhor e mais igual.


A vigilância nas redes sociais

Fazendo mais uma de minhas redações me deparei com um tema da Direito-GV que me intrigou, ou melhor me deixou com medo, seriam as redes socias como o Facebook, o twitter e a própria internet em si uma nova forma de grande irmão? Um que gostemos e que queremos dar-lhe todas as nossas informações de graça?
Segundo Eben Moglen, a internet seria a nova ‘”polícia secreta do século 21″ uma que não tortura e bem executa e sim oferece “doces”. Nos   ensinam a gostar disso’. Com sua falsa sensação de liberdade e de privacidade, nos abrimos cada vez mais aos encantos da rede, e ela está guardando todas essas informações, seja por motivos comerciais ou políticos.
Na íntegra a entrevista da coletânea da FGV, publicada na folha de são paulo em 29 de junho de 2010:

Especialista vê “polícia secreta” na internet

Enquanto os membros do Facebook discutem as minúcias dos controles de privacidade de seus perfis, provedores de serviços on-line seguem silenciosamente construindo dossiês sobre as ações de seus usuários.

Para Eben Moglen, professor de Direito na Universidade Columbia (Nova York) e diretor do Centro Legal para Software Livre, a tendência construiu uma “polícia secreta do século 21”, que “tem mais dados do que agências de espionagem de regimes totalitários do passado”. Moglen diz que é possível até prever quem terá um caso com quem só com base em dados do Facebook

Folha – Somos nós que estamos nos expondo demais?

Eben Moglen – Não creio. É perfeitamente razoável pensar que o capitalismo do século 21 se baseie na descoberta de uma nova matéria-prima -a informação sobre nossas vidas privadas.

O objetivo de sites como o Google é a reorganização da publicidade para favorecer o consumo em estilo americano. Se você sabe o que as pessoas buscam, pode definir sua publicidade por isso.

E ferramentas como redes sociais sabem tudo sobre o consumidor.

As redes sociais espionam deliberadamente?

Sim, esse é seu negócio. A forma que encontraram de ganhar acesso à vida privada é oferecer páginas gratuitas e alguns aplicativos.

É uma péssima troca para o usuário –degenera a integridade da pessoa humana. É como viver num regime totalitário.

O Facebook diz que as pessoas querem compartilhar suas vidas e eles só facilitam.

Sim, é um ótimo argumento. É por isso que a “polícia secreta do século 21” não tortura nem executa, e sim oferece “doces”. Nos ensinam a gostar disso.

Quando eu digo que o Facebook é capaz de prever com quem você terá um caso, não é modo de falar.

Em termos técnicos, o Facebook é simplesmente um grande banco de dados. Se dissermos a esse banco de dados: “me dê o log [dado arquivado] de todas as pessoas que checaram algum outro perfil mais de cem vezes hoje”, teremos uma lista de pessoas obcecadas.

Mas o site está longe de ser o único –há milhares de bancos de dados na internet.

Mas o Facebook é abertamente sobre exposição…

Toda a internet é sobre exposição. A diferença entre o que você pensa que está publicando e o que está de fato tornando público é na prática muito grande.

Praticamente todos os movimentos na rede estão arquivados em algum servidor externo, fora do controle do usuário.

Querendo ou não suas informações vão parar nas mãos de terceiros seja por sua própria publicação ou  por intermédio de seus amigos e parentes que estão na rede. É a nova tendência para esse século e não podemos realmente fazer algo contra isso. É melhor do que câmaras que te vigiam 24 horas? Não sei se é. Mas é mais perigosa, pois nenhuma imagem pode realmente dizer o que estamos pensando… Mas as nossas palavras podem.
Definitivamente um filme de terror


A Fuvest e a política

As provas  da Fuvest aconteceram nos últimos dias 8, 9 e 10. Na redação pedida no primeiro dia a universidade mandou um recado  ao pedir para falarmos sobre política: Ela quer universitários críticos que saibam de política e tenham participação ativa na sociedade. Com a pergunta “Participação política: indispensável ou superada?”  de tema central e uma coletânea que explicitava em quase todos os textos a  importância de sermos participativos, acho que a usp deixou bem claro um aspecto que gostaria de ver em seu alunos.

Em meio as problemáticas ocorridas na universidade de são paulo neste ano, e as convulsões dos jovens por todo mundo, o tema caiu como uma luva, não poderia ser nada mais atual.  O problema era que para responder essa pergunta o melhor seria esquecer de tudo isso que está  acontecendo e discutir o que está na essência dessas problemáticas, e que no fundo é a questão que está por trás da imobilidade da juventude desde o fim da guerra fria.

Relatada em o “fim da história”, os processos históricos de mudança, frutos de revoluções, teriam acabado com a queda do muro de Berlim.  Porém uma crise veio e mudou tudo. Estamos vivendo essa mudança e não sabemos bem no que isso vai dar, muito menos no que as revoltas árabes vão resultar. Mas quem somos nós diante desses acontecimentos? Somos parte dessa mudança ou continuamos a sermos partes de uma massa crescente de pessoas “despolitizadas”?

No fundo foi isso que nos foi perguntado, deixaremos o poder nas mãos de poderosas corporações, e seguiremos com nossa vida burguesa aparentemente feliz ou vamos impedir que isso se torne cada vez mais forte em nossas sociedades? Vamos lutar por nossos direitos e pela vontade democrática, ou aceitarmos tudo que está acontecendo na polítca mundial? E principalmente vamos continuar imóveis a corrupção absurda nos três poderes desse país?

Como você responderia a essas perguntas? Para mim todas devem ser respondidas com a ideia: Vamos participar e lutar por nossos direitos!
Eu não vejo outro modo para que possam ser respondidas.
A proposta: http://www.fuvest.br/vest2012/provas/fuv2012.2fase.dia1.pdf


Os papéis que nos incumbiram

A todo momento somos bombardeados por informações. Muitas vezes não percebemos que por trás delas um modo de vida, nos está sendo vendido, ou melhor imposto a nós. Dessa forma nós teremos um emprego que o sistema quer que tenhamos, para comprarmos as coisas bonitas e maravilhosas que ele produz.
Daí em um momento de sua vida, quando você tiver alcançado esse “sonho”, esse american dream, muito provavelmente sentirá que você não está completamente satisfeito com sua vida de casado de meia idade, com filhos e aquele emprego insuportável, que lhe foi imposto e que você não poderá mais largar porque você tem uma família para sustentar.
Porque quando você era jovem a sociedade lhe deu um prazo para crescer e escolher o que você queria fazer, mas não lhe deu a verdadeira liberdade para fazer isso. Ela mostrou alguns caminhos pré-fabricados, e fez você acreditar que seria feliz com eles, você até poderá ter sorte e escolher um caminho que teria escolhido mesmo sem essa imposição, mas a chance não é grande.
Só no momento em que você realmente acreditar nisso, você conseguirá se libertar e realmente procurar o que você quer  na vida. Sorte sua se isso acontecer antes de você contrair dívidas de financiamentos, por comprar coisas que não tinham realmente valor para você.
Creio que sempre podemos mudar nossas escolhas e começar tudo de novo, mas quanto mais velho e estabelecido se está mais díficil será essa tarefa. Por isso pense muito bem no que você quer fazer da vida, esqueça os cifrões e procure aquilo que  você realmente ame fazer. Tente e continue procurando, se você não estiver confortável em seu caminho, procure o seu verdadeiro destino antes que seja tarde demais para fazer isso.


O papel social do universitário de uma Usp

A discussão da permanência da PM na USP, está bastante deturpada por generalizações. Chamam os estudantes de maconheiros filhinhos de papai, o reitor de fascista, os PMs de salvadores da pátria ou de truculentos opressores. Não quero entrar no mérito desse debate que está sendo super explorado pela mídia, este cenário está muito poluído.

Quero falar sobre o papel de um universitário que está sendo bancado pelo dinheiro público. Ao contrário do que muitos estão dizendo o dever deles não é só ir a faculdade de cabeça baixa, ter aulas e se formar. O mais importante que eles tem para fazer lá é achar modos de devolver o que receberam à sociedade. Pode ser através de pesquisas, de campanhas de cunho preventivo, ou dando aulas. Mas deve ser principalmente pelo debate, pelo questionamento.

É fundamental que eles sejam agentes críticos e dispostos a mudar os problemas que vêem na sociedade,  que estão estudando nas aulas ou escutando pelos corredores de suas faculdade. Pois é um espaço que é propicio a isso, são mentes pensantes reunidas, com o propósito de ser somente isso, pensadores. Eles não estão lá simplesmente para aprender a receber ou dar ordens para alguém, como perfeitos seguidores de um sistema social que possui muitas falhas. Eles estão lá para promover mudanças nele!

Não digo isso como uma defensora da destruição do sistema, ou qualquer coisa do gênero. Digo isso como uma pessoa que está indignada com a vertiginosa desigualdade social do país, com a péssima situação da educação, da segurança  e da saúde públicas. Ou deveríamos ignorar esses problemas? É isso que fazemos ao ridicularizarmos estudantes que protestam por qualquer melhora, ou que abram o debate para que certos problemas entrem na pauta de discussão do governo e da mídia. Quando fechamos os ouvidos e os olhos para eles, o fôlego para seus protestos é diminuido, seu fogo brilha mais fraco.

O papel deles é, portanto, o de tentar promover melhoras na sociedade, não só por retribuição, mas pelo simples fato de que eles são jovens e se não fizerem nada para mudar, continuarão a viver por muito numa realidade tão cruel como a atual, ou até mesmo numa pior.